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terça-feira, 9 de agosto de 2011

CARMA


Mensagem de Eckarte Tolle
28 de Julho de 2011

P: Fala da Presença e do Ser como as chaves para desfrutar da forma e criar circunstâncias positivas ou circunstâncias mais atenuadas. Como se encaixa o carma em tudo isso?

E.T.: Todos nasceram num determinado ambiente externo. Do mesmo modo, todos nasceram com determinadas predisposições – podem ser parcialmente genéticas, podem ser outras coisas. Por outras palavras, uma pessoa nasce com certos padrões. Não precisamos de examinar de onde é que eles vêm, mas o facto é que um ser humano nasce num determinado ambiente. Pode ser violento ou pode ser relativamente pacífico. Uma pessoa nasce com padrões internos que herda. Até mesmo o corpo de dor é, em parte, herdado.

Existe todo um conjunto de condicionantes que acontecem quando entram num ambiente. O ambiente condiciona mais e não existe escolha envolvida – são apenas influências. Vocês encontram-se neste mundo com certos padrões inconscientes que se tornaram a condicionante de quem é a pessoa. O carma, tal como eu o vejo, é a condicionante inconsciente que gere a vossa vida. O carma é, em parte, coletivo e, em parte, pessoal. Podem compreender o carma não como um tópico abstrato exterior a vocês, podem apenas compreendê-lo observando-se a vocês mesmos e então saberão muitas outras coisas. Se querem compreender o carma, precisam de olhar para vocês mesmos.

Eu comecei a entender o carma quando alguma coisa que não fazia de todo parte do carma surgiu. Eis a chave – o surgimento da consciência, ou Presença, ou despertar espiritual, não é parte do carma. É outra dimensão que invade o reino cármico. Vocês não se tornam despertos por acumularem, como se diz por vezes no Oriente, “bom carma”. Isso está bem a este nível, podem tornar as paredes ou os móveis da vossa prisão um pouco mais confortáveis, mas há algo completamente para lá do carma que entra na vossa vida num ponto qualquer.

O re-nascimento é, naturalmente, parte do carma. O significado mais profundo de re-nascer é a identificação com a forma. Não precisamos sequer de acreditar na transmigração, ou no que quer que seja, podem olhar para o re-nascimento na vossa própria vida. De cada vez que se identificam com um pensamento que surge, que é a forma, nascem para esse pensamento. A vossa identidade, o vosso sentido do eu está nele. Isso é carma. O vosso carma é a identificação inconsciente com esses padrões que herdaram – o condicionado. É a identificação completa da consciência com os padrões condicionados. A consciência está a sonhar, podia-se dizer. É por isso que usamos a palavra “despertar” em muitas tradições espirituais. A consciência está a despertar, a consciência está como que num estado de sonho quando estão identificados com os padrões inconscientes. Muitas vezes por dia, vocês re-nascem numa reação emocional ou mental nos pensamentos que surgem.

O carma cria, no exterior, a confirmação de que está correto. Assim, se pensam que o mundo está cheio de pessoas más, irão encontrar muitas pessoas más – por outras palavras, pessoas inconscientes. Mesmo as pessoas que estão a meio caminho entre serem conscientes e inconscientes, as suas crenças vão puxá-las para a inconsciência. O carma é a ausência completa da Presença consciente. É automático. Realiza-se a si próprio.

O tempo não os liberta do carma. Este é um mal entendido que, se vocês simplesmente gastarem tempo suficiente, podem ficar simplesmente livres do carma. O carma renova-se a si mesmo e repete-se a si mesmo. A única coisa que pode libertá-los do carma é o surgimento da Presença. A um ponto qualquer na roda do carma, a Presença pode entrar. Isso pode acontecer numa prisão, condenados à morte. Pode acontecer a alguém que nunca ouviu falar de nada espiritual. Pode acontecer a alguém que tem vindo a meditar durante 30 anos.

A Presença liberta-os do carma. Não de todo de uma vez. O carma tem um enorme ímpeto. Os padrões de pensamento, os padrões emocionais, os padrões reativos. À medida que a Presença surge, gradualmente o carma diminui e irão experimentar um desaparecimento desses padrões. Não que isso importe assim tanto já porque, uma vez que estão presentes, esses padrões podem ainda aparecer mas já não é problemático. Eles já não provocam o sofrimento que teriam causado antes porque são vistos à luz da consciência. À luz da consciência, os padrões já não dominam a vossa vida.

O corpo de dor faz parte do carma, que pode ser forte em alguns e nem tanto em outros. À medida que a Presença surge, vocês são libertados do carma. Então, vocês têm um outro elemento completamente diferente entrando na vossa vida. Por exemplo, para uma pessoa ficar livre do carma coletivo precisa que uma quantidade considerável de Presença entre. Ela então irá removê-lo internamente ou pode encontrá-lo em qualquer outro lugar.

Para uma pessoa que nasceu num grande carma coletivo, é necessária uma considerável Presença para não se ser atraído para ele. Quando Hitler entrou no poder, muitas pessoas não foram capazes de se retirar. Algumas foram, e partiram. Elas puderam ver o que estava a acontecer e foram suficientemente fortes para não se identificarem com o coletivo. Para se retirarem do carma coletivo é preciso uma considerável Presença – e algumas pessoas tinham-na. É o vosso destino, então, ultrapassarem o carma sendo os recetáculos para a Presença.

Todos os que estão a despertar irão achar, mais cedo ou mais tarde, que se tornam uma espécie de professores para os outros. O que um professor espiritual faz é realçar a possibilidade de despertar da identificação com os padrões inconscientes. Os professores espirituais ensinam-vos a irem para além do carma. Essa é a vossa função e irá tornar-se cada vez mais, quer vocês se tornem um professor formal ou um professor informal.

Despertar espiritual e deixar o carma são a mesma coisa. Muitas pessoas serão atraídas para vocês. Todos os que estão a passar por um processo de despertar são já professores. Ensinar significa acharem-se a escutar a partir da vastidão do espaço, quando alguém fala ou põe uma questão ou vos conta sobre os seus problemas. Podem descobrir que a resposta surge dessa Quietude na qual vocês escutam. Vocês não sentem “Agora vou ensinar esta pessoa”. Descobrirão que ensinar é espontâneo. Ajudarão pessoas a saírem da identificação com a inconsciência, o que significa ultrapassar o carma. Isto aplica-se a todos os que estão a despertar.

Enquanto ensinam, a Consciência torna-se alinhada com a vossa mente. A vossa mente é capaz de se sintonizar com a Consciência mais profunda e pode ser usada como um instrumento. Então, as palavras saem da vossa boca. Em última instância, existe apenas um único professor, a Consciência desperta é o professor. Ela pode ensinar apenas aqueles em que existe um grau de prontidão. O ensinamento precisa de ser recebido. Se existir apenas uma densidade da mente, o ensinamento não acontecerá.

Ficarão admirados quando as pessoas forem atraídas para vocês – pessoas que estão prontas – e achar-se-ão a dizer algo que nem sequer sabiam. É somente quando a questão é colocada que a Consciência responde. À medida que ensinam, vocês aprendem. As perceções surgem. Ensinar e aprender é o mesmo processo. Enquanto ensinam, tem lugar um aprofundamento. Vocês estão aqui para ajudar as pessoas a ultrapassarem o carma.

A coisa importante a saber é que o tempo não vos liberta do carma. A mente egóica diz “Eu preciso de mais tempo para me tornar livre”. As pessoas só podem precisar de mais tempo para perceberem que não precisam de tempo”. Podem ser necessários outros vinte anos de sofrimento para perceberem que não precisam de tempo. Podem precisar de sofrer um pouco mais antes de perceberem o poder do intemporal. O intemporal é, claro, o fim do carma.

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© Direitos de Autor 2008 – 2011. Eckart Tolle. Todos os direitos reservados. http://www.eckharttolle.com/

Tradução: Ana Belo anatbelo@hotmail.com


domingo, 26 de junho de 2011

'EVOLUÍDOS' SENTEM RAIVA SÓ POR UM MINUTO



Por Emilce Shrividya

As escrituras do yoga dizem que uma pessoa evoluída conserva sua raiva por um minuto; uma pessoa comum conserva-a por meia hora e uma pessoa ainda não evoluída conserva sua raiva por um dia e uma noite. Mas uma pessoa cheia de mágoas lembra-se da sua raiva até morrer.

É humano sentir raiva, faz parte de nossa evolução, mas devemos esquecê-la rapidamente. Não devemos alimentá-la nos lembrando dela, nem remoendo acontecimentos passados, porque a raiva causa uma grande inquietude interior.

Somos as primeiras vítimas de nossa própria raiva. Ela nos queima por dentro, tirando nossa paz; obscurece nossos pensamentos, distorce nossas percepções.

A raiva acumulada, guardada um pouco aqui e ali, nos prejudica muito e nos afasta de Deus, de nossa verdadeira essência divina, de nossa bondade e compaixão.

As pessoas pensam que alguém ou algo lhes provoca raiva, mas essa raiva já existe dentro delas, é criada e mantida por elas. Se você sente raiva, não pode culpar a ninguém a não ser você mesmo.

Seis tipos de pessoas são tristes
No grande poema épico indiano, Mahabharata é dito:

"Seis tipos de pessoas são tristes:
- Aquelas que têm inveja dos outros
- Aquelas que odeiam os outros
- Aquelas que estão descontentes
- Aquelas que vivem da fortuna dos outros
- Aquelas que são desconfiadas
- Aquelas que têm raiva"
Verdadeiramente, é a raiva que produz as outras cinco condições que causam a tristeza.
E esta raiva assume muitas formas, muitas facetas como: aflição, ressentimento, contrariedade, mau humor, aspereza, animosidade, explosões de raiva, ira, rancor, crises de choro e soluço. Muitas vezes, as lágrimas não são sinais de fraqueza, mas a força da raiva.

A raiva envenena corpo e mente


Ataques de raiva e de mau humor produzem danos sérios nas células do cérebro, envenenam o sangue, causam insônia, depressão e pânico; suprimem a secreção dos sucos gástricos e da bílis nos canais digestivos, criando gastrites e úlceras, esgotam a energia e vitalidade, causam problemas cardíacos, provocam velhice prematura e encurtam a vida.
Quando você se zanga sua mente fica perturbada e isto reflete em seu corpo que sente distúrbios. Todo o sistema nervoso se agita e você se enerva, perdendo a harmonia, a eficiência de agir, o vigor e o entusiasmo.
A raiva é uma energia poderosa que precisa ser dissolvida para que você possa ser mais livre e saudável.
Colocar a raiva para fora apenas agrava esta emoção negativa e a faz crescer ainda mais. Se deixarmos isto sem controle, expressando nossa raiva cada vez mais, ela não vai se reduzir e sim aumentar, gerando mais dor e inquietude para nós.

Aprenda a lidar com a raiva
É necessário aprender a lidar com a raiva e nos livrar de seus efeitos negativos tanto físicos, mentais e espirituais.

Como o desejo está muito ligado à raiva, é importante quando sentimos raiva perguntar a nós mesmos o que queremos desta situação que não estamos conseguindo. Isto cria uma mudança em nosso foco. E em vez de ficarmos presos na raiva, nós a observamos. E logo depois, podemos perguntar a nós mesmos de que outra maneira podemos conseguir o que queremos. E podemos perceber que idéias alternativas surgem na mente e isto melhora nossa frustração e diminui a raiva.

Existem pessoas que gostam de ficar com raiva. Sentem satisfação, poder e liberdade quando têm explosões de raiva. Acham que até aliviam as tensões, mas depois se culpam e lutam para controlar isso. Ajudaria muito se elas entendessem que mesmo que possam sentir alívio no momento, isto não funciona. A raiva apenas escraviza, e é prejudicial tanto fisicamente, psicologicamente e espiritualmente.

Porém existem momentos que a raiva é incontrolável e nem temos tempo de nos fazer perguntas sobre o que queremos. Nesses momentos, não é possível sentir desapego, ficamos presos completamente. O que podemos fazer?
A melhor saída

A melhor saída é sair da situação, dar uma volta, se afastar do ambiente ou da pessoa, tomar um copo de água, respirar algumas vezes profundamente, lembrar-se de Deus, do mantra.

Depois quando nos acalmarmos, podemos voltar e lidar com o assunto de uma maneira mais equilibrada, sem ofender e magoar os outros; sem nos desequilibrar.

Quando falamos de uma maneira tranquila sem raiva, o outro pode até nos entender e ouvir melhor, mas quando falamos com raiva só criamos mais conflitos e desarmonia.

Para se afastar no momento da discussão ou apenas ficar calado até se acalmar é necessário humildade. Quando estamos com muita raiva, queremos que a outra pessoa admita que está errada e isto é orgulho. Esse orgulho impede que nos acalmemos. Mas se você admitir que dissolver a raiva é mais importante do que provar que o outro está errado, você sente a humildade que lhe liberta da tirania da raiva.

Todos os inimigos internos alimentam uns aos outros e se estamos presos no orgulho é mais difícil lidar com a raiva. A humildade nos ajuda a testemunhar o que está acontecendo dentro de nós.

Em vez de guardamos raiva por horas, ou dias, podemos largá-la logo e evitar assim muitos momentos de sofrimento. Basta não alimentarmos essa raiva, não remoendo e lembrando acontecimentos passados. Se voltarmos nossa atenção para outras coisas e para o momento presente, ficamos livres da raiva e podemos ter momentos felizes.

A raiva acumulada desde a infância gera a depressão que tira a alegria de viver. Hoje em dia muitos médicos receitam remédios para depressão que podem até aliviar um pouco os sintomas, mas enquanto a pessoa não for na causa verdadeira da depressão, ela vai ficar sempre dependente e triste, pois depressão é uma doença da alma.

Como diz a Bhagavad Gita, uma escritura do Yoga:
Aquele que é capaz de suportar, aqui na terra, a agitação que resulta do desejo e da raiva, é disciplinado; ele é verdadeiramente um homem feliz.[5:23]

Cultive emoções positivas
Porém não podemos nos libertar da raiva simplesmente suprimindo-a. É necessário cultivar com constância os antídotos da raiva: a tolerância e a paciência.

Perceba em sua vida os efeitos benéficos da tolerância e da paciência e perceba também os efeitos destrutivos e negativos da raiva, dos ressentimentos e mágoas.

Contemplação e conscientização vão lhe motivar a desenvolver esses sentimentos de tolerância, paciência e aceitação além de fazer com que você tenha mais cuidado em não alimentar pensamentos de raiva.

Para ficarmos livres desse inimigo interno tão destrutivo que surge de uma mente insatisfeita e descontente, é essencial gerar o contentamento interior, a gratidão e o entusiasmo; cultivar a bondade, a benevolência e a compaixão. Isto vai produzindo serenidade mental que impede a raiva de se manifestar.

A prática regular da meditação nos ajuda muito a dissolver a raiva e transformá-la em paciência, aceitação, e o perdão surgirá espontaneamente. Com o perdão podemos abandonar os sentimentos negativos associados aos acontecimentos passados nos livrando das sensações de raiva e ressentimentos.

Baba Muktananda, em seu livro Encontrei a vida, nos conta que certa vez perguntaram à grande santa Rabi'a:
- Você alguma vez sente raiva?
-Sim -replicou ela-, mas só quando me esqueço de Deus."
Contemple essas palavras e compreenda que ao lembrar-se de Deus, ao desenvolver virtudes divinas, não haverá espaço para a raiva em seu interior e assim, você poderá ser mais livre e feliz. Fique em paz!

Referências bibliográficas:
Encontrei a Vida- Muktananda, Swami- Ed. Vozes.
Lama, Dali-A arte da Felicidade-Ed. Martins Fontes.
Meu Senhor ama um coração puro- Chidvilasananda,Swami- Ed. Siddha Yoga Dham Brasil
Emilce Shrividya é professora de Hatha Yoga.


Fraternalmente.

_________________________
EU SOU Rochel Aim Uo

Mensageiro Espiritual da LUZ

Grupo de Estudo para O Despertar da Consciência – Eckhart Tolle

Link pra você fazer seu cadastro no grupo: (copiar e colar no seu navegador).

http://aluisionestelar.ning.com/group/eckharttolle

http://aluisionestelar.ning.com/profile/ROCHELAIMUO

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A PAZ QUE EXCEDE TODA A INTELIGÊNCIA



Eckhart Tolle


Existem muitos relatos de pessoas que vivenciaram essa nova dimensão emergente da consciência como resultado de uma perda trágica em determinado momento de sua vida.

Há quem tenha perdido todos os bens, os filhos ou o cônjuge, a posição social, a reputação ou a capacidades físicas. Em certos casos, em decorrência de desastres ou guerras, tudo isso se foi ao mesmo tempo e esses indivíduos se viram com “nada”.

Podemos chamar um quadro como esse de situação-limite. Não importa com que elementos essas pessoas estavam identificadas, o que lhes dava a percepção do ser, isso se acabou. Então, de repente e inexplicavelmente, a angústia e o medo intenso que elas sentiam desapareceram, dando lugar ia sensação sagrada da Presença, uma paz e uma serenidade profunda e uma completa libertação do medo.

Esse fenômeno deve ter sido familiar a São Paulo, que usou a expressão “a paz de Deus excede toda a inteligência”.

Na verdade, é uma paz que não parece fazer sentido, e quem já passou por essa experiência se pergunta: diante disso, como é possível que eu sinta tanta paz?

Depois que compreendemos o que é o ego e como ele funciona, a resposta é simples.

Quando as formas com as quais nos identificamos, que nos dão a presença do eu desmoronam ou são removidas, o ego entra em colapso, uma vez que ele é a identificação com a forma. No momento em que não há mais nada com que possamos nos identificar, quem somos nós?

Assim que as formas ao nosso redor morrem ou quando a morte se aproxima, nossa percepção da Existência, do “eu sou”, fica livre das ligações com a forma: o espírito é liberado da sua prisão na matéria.

Passamos a compreender nossa identidade essencial como informe, como uma Presença onipresente do Ser antes de todas as formas, de todas as identificações. Entendemos nossa verdadeira identidade como a consciência propriamente dita em vez de algo ao qual a consciência se vinculara. Essa é a paz de Deus.

A verdade suprema de quem nós somos não é “eu sou isso ou eu sou aquilo”, mas “eu sou”.

Nem todo mundo que vivencia uma grande perda passa por esse despertar, isto é, pelo processo de se desassociar da forma. Algumas pessoas criam de imediato uma forte imagem mental ou uma forma de pensamento em que se vêem como vitimas – das circunstâncias, de alguém, de um destino injusto ou de Deus.

Assim, vinculam-se com intensidade a essa forma de pensamento e às emoções que ela origina, como raiva, ressentimento e auto-piedade, que assumem de modo instantâneo o lugar de todas as outras identificações que entraram em colapso por causa da perda.

Em outras palavras, o ego logo encontra uma nova forma. E o fato de que ela seja algo profundamente infeliz não o preocupa muito, desde que ele tenha uma nova identidade, boa ou má. Na verdade, esse novo ego será mais retraído, mais rígido e impenetrável do que o antigo.

Quando a perda trágica ocorre, nós ou resistimos a ela ou nos resignamos. Há pessoas que se tornam amargas ou muito ressentidas, enquanto outras se mostram mais solitárias, sábias e afetuosas. A resignação significa a aceitação interior do que aconteceu. Ficamos abertos à vida.

A resistência é uma contração interior, um endurecimento da concha do ego. Permanecemos fechados. Seja qual for a ação que adotemos num estado de resistência interior (que podemos também chamar de negativismo), ela criará mais resistência externa, e o universo não estará do nosso lado. A vida não nos beneficiará. Se as persianas estiverem fechadas, o sol não conseguirá entrar.

Quando nos submetemos internamente, ou seja, no momento em que nos entregamos, uma nova dimensão da consciência se abre. Caso uma ação seja possível ou necessária, essa atitude será alinhada com o todo e apoiada pela inteligência criativa, a consciência incondicional com a qual nos unificamos num estado de receptividade interior. As circunstâncias e as pessoas então se tornam favoráveis, cooperativas. Coincidências acontecem.

Se nenhuma ação for possível, repousaremos na paz e no silêncio interior que acompanham a resignação. Descansaremos em DEUS.

_________________________

Retirado do livro : O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA
Eckhart Tolle - Editora Sextante




quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

TRANSFORMANDO AS RELAÇÕES VICIADAS EM RELAÇÕES ILUMINADAS


Podemos transformar um relacionamento viciado em um relacionamento verdadeiro?

Sim, se estivermos conscientes e aumentarmos a nossa presença, concentrando a atenção cada vez mais fundo no Agora. A chave do segredo será sempre essa, não importa se você está vivendo só ou com alguém. Para o amor incondicional florescer, a luz da nossa presença tem de ser forte o bastante, de modo a impedir que o pensador ou o sofrimento do corpo nos domine. Saber que cada um de nós é o Ser por baixo do pensador, a serenidade por baixo do barulho mental, o amor e a alegria por baixo da dor, significa liberdade, salvação e iluminação. Pôr fim à identificação com o sofrimento do corpo é trazer a presença para o sofrimento e, assim, transformá-lo. Pôr fim à identificação com o pensamento é ser o observador silencioso dos próprios pensamentos e atitudes, em especial dos padrões repetitivos gerados pela mente e dos papéis desempenhados pelo ego. Se paramos de injetar “auto-suficiência” na mente, ela perde sua qualidade compulsiva, que é o impulso para julgar e, desse modo, criar uma resistência ao que é, dando origem a conflitos, tragédias e novos sofrimentos. Na verdade, no momento em que paramos de julgar, no instante em que aceitamos aquilo que é, ficamos livres da mente e abrimos espaço para o amor incondicional, para a alegria e para a paz. Em primeiro lugar, paramos de nos julgar, depois paramos de julgar o outro. O grande elemento catalisador para mudarmos um relacionamento é a completa aceitação do outro do jeito que ele é, sem querermos julgar ou modificar nada. Isso nos leva imediatamente para além do ego. Nesse momento, todos os jogos mentais e toda a dependência viciada deixam de existir. Não existe mais vítima nem agressor, acusador nem acusado. Esse é também o fim da dependência, de uma atração pelo padrão inconsciente do outro. Você, então, ou vai se afastar – com amor – ou penetrar cada vez mais fundo no Agora junto com o outro. É simples assim. O amor é um estado do Ser. Não está do lado de fora, está bem lá dentro de nós. Não temos como perdê-lo e ele não consegue nos deixar. Não depende de um outro corpo, de nenhuma forma externa. Na serenidade do estado de presença, podemos sentir a nossa própria realidade sem forma e sem tempo, que é a vida não manifesta que dá vitalidade à nossa forma física. Conseguimos, então, sentir essa mesma vida lá no fundo de outro ser humano, de cada criatura. Conseguimos enxergar além do véu opaco da forma e da desunião. Essa é a realização da unidade. Isso é amor incondicional. Só assim tem-se uma relação iluminada entre um homem e uma mulher.


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Texto do Mestre Espiritual Eckhart Tolle

Publicado por Rochel Aim Uo

SK-CGR-MS-sábado, 5 de fevereiro de 2011 - 18:04:03Hs.
Postado por ROCHEL AIM UO em O.U.S.E.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

COM MORTE DO EGO NASCE O “REINO DOS CEUS”



 

ALÉM DO EGO: NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADE

Quando o ego está em guerra, saiba que isso não passa de uma ilusão que está lutando para sobreviver. Essa ilusão pensa ser nós. A princípio, não é fácil estarmos lá como testemunhas, no estado de presença, sobretudo quando o ego se encontra nessa situação ou quando um padrão emocional do passado é ativado. No entanto, depois que sentimos o gosto dessa experiência, nosso poder de atingir o estado de presença começa a crescer e o ego perde o domínio que tem sobre nós. E, assim, chega à nossa vida um poder que é muito maior do que o ego, maior do que a mente. Tudo de que precisamos para nos livrar do ego é estarmos conscientes dele, uma vez que ele e a consciência são incompatíveis. A consciência é o poder oculto dentro do momento presente. É por isso que podemos chamá-la de presença. O propósito supremo da existência humana, isto é, de cada um de nós, é trazer esse poder ao mundo. E é também por isso que nossa libertação do ego não pode ser transformada numa meta a ser atingida em algum ponto no futuro. Somente a presença é capaz de nos libertar dele, pois só podemos estar presentes agora - e não ontem nem amanhã. Apenas ela consegue desfazer o passado em nós e assim transformar nosso estado de consciência. O que é a compreensão da espiritualidade? A crença de que somos espíritos? Não, isso é um pensamento. De fato, ele está um pouco mais próximo da verdade do que a idéia de que somos a pessoa descrita na nossa certidão de nascimento, mas, ainda assim, é um pensamento. A compreensão da espiritualidade é ver com clareza que o que nós percebemos, vivenciamos, pensamos ou sentimos não é, em última análise, quem somos, que não podemos nos encontrar em todas essas coisas, que são transitórias e se acabam continuamente. E provável que Buda tenha sido o primeiro ser humano a entender isso, e dessa maneira anata (a noção do não-eu) se tornou um dos pontos centrais dos seus ensinamentos. E, quando Jesus disse "Negue-se a si mesmo", sua intenção era afirmar: negue (e assim desfaça) a ilusão do eu. Se o eu - o ego - fosse de fato quem somos, seria um absurdo "negá-lo". O que permanece é a luz da consciência, sob a qual percepções, sensações, pensamentos e sentimentos vêm e vão. Isso é o Ser, o mais profundo e verdadeiro eu. Quando sabemos que somos isso, qualquer coisa que ocorra na nossa vida deixa de ter importância absoluta para adquirir importância apenas relativa. Respeitamos os acontecimentos, mas eles perdem sua seriedade plena, seu peso. A única coisa que faz diferença realmente é isto: podemos sentir nosso Ser essencial, o "eu sou", como o pano de fundo da nossa vida o tempo todo? Para ser mais exato, conseguimos sentir o "eu sou" que somos neste momento? Somos capazes de sentir nossa identidade essencial como consciência propriamente dita? Ou estamos nos perdendo no que acontece, na mente, no mundo?

TODAS AS ESTRUTURAS SÃO INSTÁVEIS

Seja qual for a forma que assuma, a motivação inconsciente por trás do ego é fortalecer a imagem de quem nós pensamos que somos, o eu-fantasma que passa a existir quando o pensamento - uma enorme bênção, assim como uma grande maldição - começa a dominar e a obscurecer a simples, e ainda assim profunda, alegria da conectividade com o Ser, a Origem, Deus. Independentemente do comportamento que o ego manifeste, a força motivadora oculta é sempre a mesma: a incessante necessidade de aparecer, ser especial, estar no controle, ter poder, ganhar atenção. E, é claro, a necessidade de experimentar uma sensação de isolamento, ou seja, de oposição, de ter inimigos. O ego sempre quer alguma coisa das pessoas ou das situações. No caso dele há sempre um plano oculto, um sentimento de "ainda não é o bastante", de insuficiência e falta, que precisa ser atendido. Ele usa as pessoas e situações para conseguir o que deseja e, até mesmo quando é bem-sucedido, nunca fica satisfeito por muito tempo. Em geral, vive frustrado com seus objetivos - na maior parte do tempo, a lacuna entre o "eu quero" e "o que acontece" torna-se uma fonte constante de aborrecimento e angústia. A clássica canção dos Rolling Stones (I Can’t Get No) Satisfaction ("Não consigo ter satisfação") é sua música. A emoção subjacente que governa todas as atividades do ego é o medo. O medo de não ser ninguém, o medo da não-existência, o medo da morte. Todas as suas ações, enfim, destinam-se a eliminar esse temor. No entanto, o máximo que o ego consegue fazer é encobri-lo temporariamente, seja com um relacionamento íntimo, a aquisição de um novo bem ou tendo um bom desempenho numa coisa ou noutra. A ilusão nunca nos satisfaz. Apenas a verdade de quem nós somos, se compreendida, nos libertará. Por que o medo? Porque o ego surge pela identificação com a forma e, na verdade, ele sabe que nenhuma forma é permanente, que todas elas são transitórias. Assim, há sempre um sentimento de insegurança ao seu redor, mesmo que externamente ele pareça confiante. Certa vez, quando eu caminhava com um amigo numa linda reserva natural próxima a Malibu, na Califórnia, chegamos às ruínas do que fora uma casa de campo, destruída pelo fogo décadas atrás. Aos nos aproximarmos da propriedade, toda cercada de árvores e de plantas magníficas, vimos, ao lado da trilha, uma placa que as autoridades do parque haviam colocado ali. Nela estava escrito: "Perigo. Todas as estruturas são instáveis." Comentei com meu amigo: "Este é um sutra profundo." E ficamos parados, impressionados. Depois que compreendemos e aceitamos que todas as estruturas (formas) são efêmeras, até mesmo os materiais aparentemente sólidos, a paz surge dentro de nós. Isso acontece porque o reconhecimento da impermanencia de todas as formas nos desperta para a dimensão do que não tem forma no nosso interior, o que está além da morte. Jesus chamou isso de "vida eterna".


A NECESSIDADE DO EGO DE SE SENTIR SUPERIOR

Existem muitas formas sutis de ego que, mesmo sendo tênues, podemos observar com facilidade nas pessoas e, mais importante, em nós. Lembre-se: no momento em que nos tornamos conscientes do nosso ego, essa consciência emergente é quem somos além do ego, o "eu" profundo. O reconhecimento do falso já é o surgimento do real. Por exemplo, imagine que você está prestes a contar uma novidade a alguém. "Já sabe o que aconteceu? Não? Vou lhe dizer." Se estiver alerta o suficiente, no pleno estado de presença, será capaz de detectar um rápido sentimento de satisfação dentro de si imediatamente antes de dar a notícia, até mesmo se ela for má. Isso ocorre porque, por um breve momento, existe, aos olhos do ego, um desequilíbrio a seu favor na relação entre você e a outra pessoa. Durante esse instante, você sabe mais do que ela. Essa satisfação provém do ego e ela surge porque sua percepção do eu é mais forte em comparação com a outra pessoa. Ainda que o interlocutor seja o presidente ou o papa, você se sente superior a ele naquele momento porque sabe mais. Esse é um dos motivos que fazem com que muita gente se vicie em fofoca. Além disso, a fofoca costuma carregar um elemento de crítica e julgamento malicioso dos outros. Dessa forma, também fortalece o ego por meio da superioridade moral imaginada, que fica implícita em toda apreciação negativa que fazemos de alguém. Se uma pessoa tem mais, sabe mais ou pode fazer mais do que nós, o ego se sente ameaçado porque o sentimento de "menos" diminui sua percepção imaginada do eu em relação a ela. Assim, ele pode tentar se recuperar procurando, de algum modo, criticar, reduzir ou menosprezar o valor das capacidades, dos bens ou dos conhecimentos desse indivíduo. Ou pode mudar de estratégia: em vez de competir, vai se valorizar por meio da associação com essa pessoa, caso ela seja considerada importante aos olhos dos outros.

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Texto extraído do livro “O DESPERTAR DE UMA NOVA CONSCIÊNCIA” de Eckhart Tolle
Publicado por Rochel Aim Uo – CGR-MS-SK em segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 - 17:18:12Hs.


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Obrigado pelo Milagre


"Obrigado pelo amor na minha vida.

Obrigado pelo amor que me rodeia.

Obrigado pelo milagre da vida que eu sou e

pelo milagre da vida que eu vejo refletido em mim.

Obrigado pela dádiva da vida que eu sou.

Obrigado pelo meu corpo perfeito, minha saúde e minha vitalidade.

Obrigado pela abundância que eu sou.

Obrigado pela riqueza da minha vida.

Obrigado pelo dinheiro que vem para mim.

Obrigado pelo ânimo e aventura de milhões de possibilidades e probabilidades.

Obrigado pelo milagre e obrigado pela alegria.

Obrigado pela beleza e pela harmonia, pela paz e a tranqüilidade.
Obrigado pelo riso e pela brincadeira.

Obrigado! Obrigado! Obrigado!"

Ptaah

ANJOS E ARCANJOS



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